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Itajubá Notícias: entrevista com o gerente da INCIT, Maurício Bitencourt

19/04/2017

Ele fala sobre a criação de uma associação que irá gerir o Parque Científico e Tecnológico, startups e o programa de incubação.

Em um momento em que a Prefeitura anuncia uma possível Associação para gerir o Parque Científico e Tecnológico de Itajubá e que empresas de tecnologia da cidade estão sendo adquiridas por grandes redes varejistas, o jornal Itajubá Notícias foi conversar com o gerente da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itajubá (INCIT), Maurício Bittencourt, para saber um pouco mais dessa entidade integrante do Parque e fomentadora do empreendedorismo na cidade. 

 

Fale do início da incubadora.
A Incit foi criada no ano de 2000, por meio de um grupo de parceiros, quando nascia o programa de incubação tão necessário dentro do projeto maior, que era Itajubá Tecnópolis e Rota 459, voltado para o desenvolvimento regional. Nessa época eu não participava, só conhecida à distância, mas sei que foi um diagnóstico feito com apoio da Fiemg  (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Hoje, a evolução desse projeto Tecnópolis é o Parque Científico e Tecnológico (ParCTec). E para consolidar o município como Tecnópolis, criaram essa base na incubadora, na educação empreendedora, universidade, programas de inovação, transferência tecnológica, empreendimentos, enfim, todos esses elos. 

Como estão esses projetos hoje? Para os leigos, parece que se dissolveram no tempo. 
Não! Eles são projetos de maturação longa. O que estamos colhendo hoje é o que plantamos com muita iniciativa e esforços. Talvez o elo que mais se consolidou foi a incubadora, mas o Parque também aconteceu. Hoje temos a área desapropriada, a Fase I dentro da Unifei aconteceu e o prédio do Condomínio de Empresas está construído lá também. Muitas empresas já nasceram e estão no mercado como resultado desses esforços. Talvez não tenham acontecido na dimensão e velocidade que merecemos ou desejamos, mas muita coisa mudou, inclusive a nomenclatura. Em especial, a lógica do que estávamos fazendo também se alterou. Um exemplo é que não falamos mais em ambiente Tecnópolis, mas sim em territórios, habitats de inovação ou ecossistema de empreendedorismo e inovação. 

Os parceiros que criaram continuam presentes na estrutura da Incit? 
Sim, não mudou. Existe um Conselho Estratégico e um Conselho Diretor na estrutura operacional. E a governança é baseada no Conselho Diretor que participa das ações estratégicas como prestação de contas, análises de empresas, etc. São esses parceiros que mantêm nossa equipe atuante, apesar de estar reduzida. 

O prédio da Incit, dentro da Unifei, já está há um tempo interditado por questões na estrutura física. No que isso tem afetado os trabalhos de incubação?
Perdemos capacidade de abrigar mais empresas. Nosso prédio tinha até 40 salas, com 30 empresas, e hoje temos a metade disso. Ele é muito importante para fortalecer e ampliar esse nosso trabalho de incubação, que está integrado em um movimento maior de desenvolvimento do território, da cidade, na área de inovação. 

Tem previsão de quando as empresas voltam a ocupar o prédio?
Não. O momento econômico está crítico, afetando todo mundo, de toda ordem e em vários níveis. Conosco não é diferente! Mas o lado bom é que o processo jurídico está em fase final, o que significa que está andando. Pelo menos não estamos na incerteza.

Hoje, quantas empresas estão incubadas?
Nossa capacidade atual é de atender 14 empresas. Estamos com 11 já inseridas e um processo de seleção aberto, agora em abril, para mais três empresas. Já chegamos a 23, mas nossa capacidade é muito maior, como já disse, de 30, pela capacidade da universidade em gerar conhecimento e pesquisa. Itajubá é uma cidade de empreendedores e tecnólogos.

Comparando com a maior incubadora do país, como ficam os números?
Em São Paulo, a incubadora da USP tem 130 empresas. Na China, tem incubadora com 1000 empresas no Parque Tecnológico. O que aprendemos com isso é que o ambiente tem que ter escala, quantidade, para ter relevância. Na Incit, nesse tempo de vida de 15 anos efetivos, já nasceram 60 empresas  (entre as que saíram e as que estão aqui). Muitas outras ficaram no meio do caminho. Já graduamos 50. Se considerarmos que a Unifei tem cinco mil alunos, estamos falando em 1% que empreendeu e transformou o conhecimento em uma empresa, gerando retorno financeiro para o município. Porém, se fizermos um esforço, podemos atingir 10% da universidade e chegar à 500 empresas. Aí sim teríamos uma geração empresarial relevante e passaríamos a ser a número um do Estado de Minas e nosso desenvolvimento econômico mudará radicalmente. Não é um sonho. Eu acredito nisso e pode ser muito maior!

Das 50 graduadas, você tem uma média de quantas foram embora? 
Muito pouco. Uma foi para São José dos Campos/SP no início do programa e agora uma que foi para Santa Rita do Sapucaí/MG. E nós já trouxemos uma de Santa Rita, porque essa dinâmica é muito comum. O que eu acho é que nós podemos perder mais se não dermos atenção. O segredo é a continuidade e já estamos expondo isso no Fórum de Discussão, junto com as entidades parceiras, para não perder o que temos, pois estaríamos ameaçados se não dermos continuidade. 

Quais as características dessas empresas nos quesitos faturamento e faixa salarial?
Por ano, podemos dizer que juntas, as incubadas faturam cerca de R$ 30 milhões. Com média de até dez funcionários, de formação na área de tecnologia e desenvolvimento, cada uma chega a R$ 5 milhões anuais, mas tem uma em especial que está faturando R$ 10 milhões. A queda foi quando saímos do prédio e, agora, pela crise na economia. O ciclo de crescimento da empresa pode levar de cinco a oito anos, porque são processos de maturação longos. E o modelo trabalhista é um pouco diferente, já que eles são na maioria sócios e não funcionários, conseguindo uma renda média de 5 a 10 salários.

As empresas contribuem financeiramente com a Incit?
Algumas sim. Isso foi evoluindo com o passar do tempo e está em contrato. Não exercitávamos isso, mas agora estamos. Porém somos racionais em cobrar das que estão saindo e não colocar dívida para quem está chegando. 

Comparando com empresas de base tradicional, qual a importância das empresas de tecnologia para a economia de Itajubá?
Temos que ter cuidado com o que estamos medindo. Podemos ter uma grande empresa com dois funcionários porque não somos fábricas. Mas identificar que são grandes exige uma medição, seja do faturamento ou do número de funcionários. Sem contar que são setores diferentes. Apesar de poucos funcionários, eles são específicos, com renda elevada e formação qualificada. Dez empresas de base tecnológica podem valer mais que uma grande empresa na cidade. É o famoso conceito de APL  (Arranjo Produtivo Local). E para que isso aconteça precisamos ter política de retenção dessas empresas no município, até porque outros Parques Tecnológicos, através de seus gestores, vêm até aqui para buscar nossas empresas e abrigá-las em outra cidade. E são mais de 90 Parques no país. 

Como seria essa política de retenção, já que não tem uma legislação que as obriga a ficar na cidade?
Eu diria que temos que entender o que faz com que os empresários venham para cá e queiram ficar aqui. Temos que ouví-los. Sabemos que temos mão de obra de qualidade e o recurso humano é muito rico. Isso é uma vantagem! Estar próximo à Universidade é outra. Qualidade de vida, segurança e lazer também influenciam. De outro lado, empresas de tecnologia precisam de internet de qualidade, não podemos ter uma internet medíocre senão perderemos para outros ambientes que têm essa opção, como Florianópolis, São José dos Campos, Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, onde é o Porto Digital, um sonho! Vale ressaltar que esse modelo de desenvolvimento talvez seja o principal de Itajubá e pode nos ajudar a superar crises com menos traumas. 

Algum caso de sucesso que mereça destaque?
Destaques temos vários. Sem citar os nomes, há empresas que vendem produtos em massa, como aplicativos, temos as que vendem para um segmento fechado da indústria, que o público não vai ficar sabendo. O que faz sucesso são as ideias, como a que desenvolve produto para o gerenciamento de plataformas de perfuração de petróleo. É grandiosa e está em fase final de testes. Há também as que vendem produtos e soluções para grandes empresas como Vale do Rio Doce e Usiminas. Uma outra, que trabalha com rastreabilidade de origem de alimentos, podemos ver sua etiqueta no Carrefour, ou então ir no Hospital e ver um equipamento no atendimento da enfermaria que foi desenvolvido por uma empresa de Itajubá. São muitos casos de sucesso!Tudo genuinamente nascido em Itajubá.

Como resumir a importância da incubação para um empresário?
A incubadora existe para ter um espaço adequado para essas pesquisas, onde os empreendedores possam começar de forma adequada, evitando assim a morte precoce das estatísticas de empresas novas. Aqui é o momento de errar, acertar, ajustar sob proteção dos consultores. Fora que eles se capacitam o tempo todo. Aqui temos o incentivo, o estímulo e o espírito de querer transformar, empreender. 

Ser mineiro faz a diferença? 
Sim, temos uma incubadora com perfil mineiro, que é de todos. Todos se sentem donos e fazemos o serviço bem feito. Isso é característica de Minas. 

O que é o mapa do Ecossistema de Itajubá?
É uma ‘foto’ que fizemos de Itajubá com todas as instituições envolvidas no habitat de inovação. Já sabíamos que tínhamos muita coisa, mas ficamos surpresos com o total de mais de 50 unidades, entre empresas de tecnologia, centro de pesquisas, instituições de transferência tecnológica, etc. Por exemplo, temos o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), uma ’joia da coroa’ que o mundo inteiro tem interesse. Isso tudo já é um grande polo tecnológico. Itajubá é altamente relevante no Estado de Minas e no Brasil. E agora nosso mapa está sendo levado para todas as incubadoras fazerem igual. 

Por fim, quais as perspectivas da Incit, já que tem vereador dizendo que vai fechar?
Uma incubadora não fecha e não fecharia porque aqui é uma escola. Não se fecham escolas. Numa cidade como Itajubá, com um ecossistema com o que foi apresentando, fechar a incubadora seria inconcebível. O que pode acontecer é a forma como é patrocinada, apenas isso. Aos que ouvirem esses ruídos, venham conversar com a gente e conhecer o projeto.

Fonte: Itajubá Notícias



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